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Os melhores filmes do ano de 2011

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Quem acompanha cinema sabe que o ano para a indústria cinematográfica não acaba dia 31 de dezembro e sim no domingo do Oscar. Isso se deve ao fato das produções terem datas agendadas para estreia no cinema de acordo com a data do prêmio, para estarem ainda na memória recente dos votantes. Obviamente, um filme de maio ou julho pode concorrer ao Oscar, mas os gastos na campanha publicitária do mesmo serão bem maiores, pois além de mostrar aos votantes que o filme (assim como os atores, roteiristas, …) está aí para receber a indicação será preciso relembra-los de por quê mesmo aquele filme merecia o voto dele.

Feita essa introdução, assim eu justifico a minha lista de melhores do ano que sai só agora e, compreende os filmes que são elegíveis ao Oscar 2012, ou seja, que tiveram lançamento (nos EUA) entre fevereiro de 2011 e fevereiro de 2012.

O ano de 2011 foi estranho para o cinema: foi um ano de escassez de grandes atuações femininas (como protagonistas) e sobraram grandes interpretações masculinas. Ficou difícil para escolher, ora por falta de opções para as atrizes ora por abundância (atores). Além disso, 2011 foi um ano de excelentes trilhas sonoras: Drive, Contágio, Cavalo de Guerra, A Invenção de Hugo Cabret, O Artista, Millenium – Os homens que não amavam as mulheres, só para citar alguns.

No entanto, os fatores que caracterizaram o ano no cinema foram:

1.a busca pelo passado, a ligação nostálgica com o que era bom (‘mas, será que realmente era bom?’ pergunta que expõe o tema central de Meia-Noite em Paris, de Woody Allen) e é vista claramenteem O Artista, O Espião que Sabia Demais, A Invenção de Hugo Cabret;

2.o sentimento (ou ausência dele, como em Drive) em doses exageradas e exuberantes como em Melancolia, A Pele Que Habito, Rango e, transcendendo os sentidos e entrando no campo da sinestesia, A Árvore da Vida;

Por tudo isso, 2011 é um ano em que seus filmes (mais do que nunca) não devem ser analisados separadamente. A análise do conjunto dá uma visão mais clara do que estamos pensando e querendo como sociedade.

Eis a lista:

TOP #10 de 2011

1 – Drive (Drive), de Nicolas Refn

 

2 – O Espião que sabia demais (Tinker Tailor Soldier Spy), de Thomas Alfredson

 

3 – Melancolia  (Melancholia), de Lars Von Trier

 

4 – Toda Forma de Amor (Beginners), de Mike Mills

 

5 – A Árvore da Vida (The Tree of Life), de Terence Mallick

 6 – Habemus Papam, de Nanni Moretti

7 – A Separação (A Separation), de Asghar Farhadi

8 – Rango, de Gore Verbinski

9 – A Pele Que Habito (La Piel Que Habito), de Pedro Almodovar

10 –X-Men Primeira Classe (X-Men First Class), de Matthew Vaughn

  • Melhor filme: Drive
  • Pior Filme do Ano: Inquietos (Restless);
  • Melhor diretor:  Nicolas Refn (Drive)
  • Melhor roteiro:  O Espião que sabia demais
  • Melhor ator: Jean Dujardin em O Artista
  • Melhor atriz: Kirsten Dunst em Melancolia
  • Melhor ator coadjuvante: Andy Serkis em Planeta dos Macacos
  • Melhor atriz coadjuvante: Shailene Woodley em Os Descendentes
  • Melhor elenco em obra cinematográfica:  Carnage
  • Melhor fotografia: A Árvore da Vida
  • Melhor animação:  Rango;
  • Melhores efeitos especiais: A Invenção de Hugo Cabret (Hugo)
  • Filmes Mais Superestimados:  O Homem que mudou o Jogo (Moneyball), Histórias Cruzadas (The Help), Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids)

– Menções honrosas (ou, “outros bons filmes do ano”):

Tudo Pelo Poder (The Ides of March), O Artista (The Artist), O Abrigo (Take Shelter), A Invenção de Hugo Cabret (Hugo), Like Crazy (Like Crazy), Carnage (Carnage), Margin Call – O dia antes do fim (Margin Call), Meia-noite em Paris (Midnight in Paris), Passe Livre (Hall Pass)

– Filmes com grande potencial mas que eu não assisti (ou, “o mea culpa”):

Shame, O Palhaço, In Darkness, Young Adult, Pina, Chico & Rita.

 

 

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Short Review: Drive (2011)

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Após o tremendo sucesso que fez no Festival de Cannes deste ano (ganhou prêmio de melhor diretor), o filme Drive, dirigido por Nicolas Refn e estrelado por Ryan Gosling chegou a hora de você conferir a crítica desse poderoso filme.

O roteiro que gira em torno da vida do dublê que não possui nome (Gosling) de cenas de ação para o cinema e, nas horas vagas, motorista de fuga para crimes (o fato de não possuir nome é uma ótima referência aos personagens de Clint Eastwood nos westerns de Sergio Leone) dá o tom a principal característica do filme: não apresentar grandes oscilações de humor e ritmo nos diálogos. Se engana quem possa imaginar um filme monotono, pois essas oscilações ocorrem através do próprio contexto da cena, já que Ryan Gosling interpreta muito bem alguém que raramente esboça uma emoção, mas faz o que tem que ser feito, nem que isso inclua, na ótica no filme, praticar atos violentos grotescos como matar pessoas ao melhor estilo Quentin Tarantino: não basta retratar a cena de um crime ou assassinato, tem que ser cinematograficamente “bonito”.

Com um elenco coadjuvante muito bom (Carey Mulligan enfim em uma boa atuação e Albert Brooks sagaz nas suas frases – exemplo: na cena em que Brooks estende a mão para cumprimentar Gosling, este responde que está sujo [de graxa] e Brooks retruca “Também estou sujo”, mas essa sutil resposta idz respeito a sujeira dos crimes organizados por ele).

Por fim, outra grande qualidade do filme é a estética e vitalidade com que Refn filma as cenas, dando força aos personagens sem precisar intensificar ritmo da película (destaque para a ótima cena do elevador com variação da luminosidade ou a cena que Gosling apenas acompanha outro personagem sair do recinto com o olhar, sereno mas extremamente concentrado). A isso, se soma a trilha sonora que segue um mesmo tom e, mesmo assim, se altera no decorrer do filme (dica:  escute a música da introdução – http://www.youtube.com/watch?v=MV_3Dpw-BRY). A soma de todos estes pontos levantados aqui resulta num filme que poderia ser extremamente banal (quantos filmes com perseguições, crimes e dublês não existem e são apenas entretenimento?), mas não é. É um dos melhores filmes do ano.

Nota: 4/5

Written by _ricardo

17/12/2011 at 14:08

Short Review: Thor (2011)

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Thor, de 2011, traz Chris Hemsworth como protagonista que interpreta o personagem que dá título ao filme (e que já é muito bem conhecido pelos quadrinhos da Marvel).

Os 110 minutos de Thor foram, para mim, uma agradável surpresa. Depois de uma campanha publicitária desastrosa que focou muito mais na forma física e nas habilidades do protagonista do que qualquer outra coisa, o filme mostrou que havia sim uma história a ser contada. E o grande mérito disso tudo é de Kenneth Branagh, o diretor, que ao contrário de Jon Favreau (diretor de Homem de Ferro) não dá espaço a momentos “fanfarrões” – cenas voltadas a exibição das habilidades, única e exclusivamente – no filme. Não me interpretem mal: Homem de Ferro (o 1º, somente) é um grande filme de super herói, mas Thor tem mais classe.  O filme ainda é um “filme-de-super-herói”, e por isso traz algumas cenas/caracterizações dispensáveis, como o grupo de amigos de Thor, sempre dispostos a ajudá-lo ou a redenção que o herói precisa experimentar para encontrar virtudes em sua alma. Outro ponto fraco é que algumas mudanças de comportamento em Thor ocorrem demasiadamente rápidas, como por exemplo, a integração de Thor com os costumes e habitantes da Terra (a cena dele servindo o café da manhã com um pano de prato no ombro é digna de sair do cinema) ou a sucessão de desdobramentos do plano de seu irmão. Há certas ações, que, de tão rápidas que ocorrem, nem é possível apreciarmos. Bom, mas isso é típico num filme de herói.

Há ainda a atuação de Natalie Portman que tem sucesso comoobram par romântico, mas que fica na média quando se apresenta como cientista. Já Anthony Hopkins se sai muito bem como Odin, Rei de Asgard e pai de Thor, melhorando sua imagem após o fiasco que foram seus recentes trabalhos. Mas, ainda no campo das atuações entra o principal ponto deste meu review: o irmão de Thor e, vilão do filme. A confusão mental que parece emanar nos seus planos e estratagemas, ora fazendo maldades, ora buscando a redenção é o principal mote do filme e me agradou bastante. A respeito desses desdentos relacionados ao irmão de Thor, a minha síntese fica ainda mais clara com a cena depois dos créditos. Então, mantenha sua cadeira no cinema mais um pouco antes de ir embora. Nem é tão ruim, porque os créditos são embalados por Walk, do Foo Fighters.

Mesmo sendo oriundo das histórias da Marvel (o roteiro obedece a mitologia do personagem e seu mundo), não se pode deixar de questionar a irritante fragilidade política que é o Reino de Thor, Asgard. Para toda regra há uma brecha na sociedade deles.

Mas, superando as adversidades do gênero, Thor se mostra um filme bem dirigido, com um protagonista que cumpre, na média, o que se esperava dele e apresenta um final bem digno. Mesmo sem a densidade psicológica de O Caveleiro das Trevas, consegue ser mais do que um enlatado de Hollywood.

Nota: 3/5

Written by _ricardo

13/05/2011 at 23:23

Oscar 2011: Resumo da noite

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Mais um Oscar passou. Registro nesse post alguns comentários aleatórios sobre o prêmio.

O que me chamou a atenção no Oscar?

– O vídeo de Modern Family sobre os indicados a melhor filme (excelente, para variar) http://youtu.be/J4iGiQWaMw0

– Melissa Leo num fingimento descarado (e que soou estranho, pois ninguém acreditou) ao receber o prêmio. E, depois ainda soltou um  “fuck” à Cee-lo Green;

– O sensacional discurso de Randy Newman ao ganhar pela Melhor Canção (Toy Story 3). Rápido, bem humorado e sincero;

– O cara (pois é, não sei o nome dele) que mais parecia um esquisitão e ganhou por melhor curta-metragem por God of Love. Virei fã dele (vou atrás do curta na internet, agora), totalmente perdido no que dizer e em como sair do palco. Freak;

– Billy Cristal, o melhor host do Oscar de volta, nem que por apenas 5 minutos;

– O clipe com os falecidos do ano que foi fraco e não chegou nem perto do ano passado quando James Taylor (uma lenda viva para os norte americanos) cantou e dedilhou Beatles;

– O número inicial de James Franco e Anne Hatthaway estando presente nos 10 indicados a melhor filme;

– Gwneth Paltrow cantando mal, mas muito mal (pela primeira vez concordo com José Wilker);

– A ironia: O Lobisomem ganhar um Oscar e Bravura Indômita (e Inverno da Alma) saírem “de mãos abanando”

– A Origem ganhar Melhor Fotografia;

– Sandra Bullock reforçando porque é uma das personalidades mais adoradas em Hollywood, com um bom humor genuíno;

– Saber que teve até bolão informal na internet para acertar em que bloco saíria uma piada sobre Charlie Sheen. Se deu bem quem apostou no 6°.

– A reclamação é velha, mas procede: por melhores que sejam os tradutores, a tradução simultânea do Oscar faz com que quem entende inglês não consiga prestar atenção nos discursos dos atores e quem não entende inglês não consiga ver nexo nas sentenças traduzidas daquele jeito. A melhor piada vira algo que gera um comentário do tipo “Só americano para achar graça nisso, né ?!” nos lares brasileiros;

– Anne Hatthaway parecer estar vislumbrada com a posição de apresentadora-do-Oscar durante toda a premiação;

– Levar Eli Wallach, de mais de 90 anos no palco, e Francis Ford Coppola ao palco apenas para dar uma desfilada nele e voltar, sem dizerem uma palavra;

– A festa terminar num clima Criança Esperança mal organizado. Pra quê ?

– Cadê o Jack Nicholson sentado na primeira fila, sempre na mesma cadeira, com seus óculos escuros? Fui eu que não vi ou ele quebrou a tradição prevendo a avalanche de prêmios de O Discurso do Rei e A Origem ?

– Steven Spielberg fazendo um discurso que lembrava a audiência que nem sempre o melhor ganha Até nisso o cara é bom. (Me lembrou um pouco do Cazé da MTV, no VMB 2010 dizendo que naquele prêmio quem votava eram os próprios telespectadores, e se Restart tinha ganho tudo, não era porque eles, de fato, eram os melhores)

– Acertei 18 dos 24 prêmios. Podia ter ido melhor mas fui teimoso com Hailee Seinfeld em vez de Melissa Leo e, como prever esse resultado absurdo em Fotografia ?

E, sobre o prêmio principal omito minha opinião aqui (pois já está bem expressa na crítica a O Discurso do Rei) e reproduzo os seguintes tweets, meio randômicos da minha timeline:

– “Gosto de filmes bons, bem feitos, que não me insultem com sua simplicidade nem que tentem se passar por filmes cabeça e cair no chato.” @cinematagrafo

– “O roteiro de Discurso do Rei tem um furo gigantesco, pois bastaria o Rei ler o discurso final com um fone tocando música.” @bettaum

– “Depois desse Oscar, Daniel Filho prepara um filme sobre o Orkut. Vai se chamar ‘Se Eu Add Vc?'” @joamarcio

– “Sou da opinião de que, pra cada Oscar de Direção errado desse jeito, o Scorsese tinha que levar o do ano seguinte” (não consegui copiar o nome do usuário e depois perdi o tweet, sorry).

Resumo do resumo (inception):

foi o Oscar de menor duração que eu lembro de ter visto.

Além de atrasar um pouco para começar (+/- 30 min.) terminou antes do habitual horário (2:00 de Brasília) – pelo menos assim evitou-se a correria que foi ano passado para não estourar o tempo que fez com que Tom Hanks anunciasse Guerra ao Terror como melhor filme tão rápido que foi difícil de entender, até mesmo para quem estava no Kodak Theater. Mas, retomando o 2011, a festa foi menor e tive a sensação de que os prêmios foram entregues mas faltou algo,  algo imponente que nos lembrasse que estavamos assistindo um dos programas mais exibidos no planeta. Da história recente (ou seja, dos que eu acompanhei) foi o Oscar mais burocrático. Os vencedores ratificam isso.

Written by _ricardo

28/02/2011 at 04:42

Review: A Rede Social

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A Rede Social (ou, no título original, The Social Network) é, até o presente momento, o favorito para ser o grande vencedor no próximo Oscar, incluindo melhor filme. E isso se justifica por um fato óbvio: o filme é muito bom.

O enredo do filme gira em torno da história da criação (e ascensão) do Facebook, a rede social com maior número de usuários no mundo, e que ditou algumas tendências quanto ao modo de compartilhar informações pessoais na Internet. Mas, mais do que isso, o filme é uma síntese da personalidade controversa do seu criador, Mark Zuckerberg, um nerd de Harvard que se vê bilionário com menos de 24 anos.

E a primeira cena do filme já é arrasadora. Com som do White Stripes ao fundo, o diálogo entre Mark e sua namorada transcorre com uma velocidade impressionante, que há muito tempo não se via num filme mainstream. As ideiais do jovem entusiasta já parecem não caber no plano da filmagem, e antes que o telespectador perceba, o filme já passou sua primeira mensagem: “Ei, preste muita atenção nos diálogos dessa história, pois nesse filme eles serão rápidos e inteligentes. Esse conselho irá fazer muita diferença na sua apreciação do filme”. E, desde esse ponto, a dobradinha David Fincher (diretor) e Alan Sorkin (roteirista) começa a fazer sentido, pois para que o filme caminhe de forma orgânica ambos precisam estar em sintonia, e principalmente, um não querendo aparecer mais do que o outro. Então, Alan Sorkin (roteirista da aclamada série The West Wing) constrói um roteiro meticuloso e plausível ao ambiente da história (jovens universitários com pretensões e potencial para serem muito ricos) . Aí, Fincher (consagrado por Clube da Luta) gentilmente abre mão de experimentalismos na direção para fazer tomadas centradas, mas rápidas, preocupando-se muito mais em montar e enquadrar os cenários perfeitos do que conduzir travelings intermináveis com a câmera (e com o que mais seria? :p). Assim, a fotografia encaixa-se muito bem com a direção do filme, dando ao filme uma clara distinção entre o ambiente de Boston (Universidade de Harvard), onde predomina a névoa e os tons de verde e o da Califórnia, para onde Mark vai quando percebeu que seu negócio, o Facebook, poderia ser um grande empreendimento, onde paira uma atmosfera construída por elementos que privilegiem a nitidez, vindo ao encontro dos escritórios da sede do Facebook, com poucas divisórias, e as existentes em vidro. Mas, quando necessárias cenas de ação, sem diálogo, Fincher nos mostra porque é um dos diretores mais constantes da Hollywood atual, arquitetando uma cena de uma competição de canoagem que busca explorar a ação de modo sensorial.

O roteiro do filme se, por um lado, é simplista ao abordar apenas uma grande trama linear, não oferecendo novas vertentes a história, por outro é excelente e pragmático, pois parte da limitação de basear-se numa história real, e aproveita os processos judiciais que Mark Z. disputou como ponto de partida para introduzir um novo capítulo a história. Os processos judicias foram travados pois Mark foi acusado de roubar a ideia original de criar site, e também por trair seu melhor amigo (e co-fundador do site), tirando sua participação nas ações da rede social – para conduzir os vários estágios de maturação e desenvolvimento do Facebook.

E o que dizer de Jesse Eisenberg, que interpreta o protagonista? Se fisicamente lembre Michale Cera, a atuação de Jesse diverge completamente das pseudo-caretas feitas por Michael em seus filmes. É interessante notar como Jesse constrói uma expressão serena (e muitas vezes distante), mas que se altera completamente em momentos de inspiração ou no deslumbre que ele tem ao encontrar personagem de Justin Timberlake pela primeira vez.

Um ponto de fundamental importância no filme é a edição/montagem, tanto visual como a de som, essencial para a alternância entre as cenas carregadas de diálogo. Mas, o ponto principal do filme (e que coloca Alan Sorkin como o preferido da Academia para ganhar o Oscar de melhor roteiro) é a habilidade de mostrar a personalidade de Mark (egoísta, inteligente, e pouco complacente com todos, inclusive seus amigos) sem posicionar-se sobre o comportamento do jovem caindo num moralismo. Acreditem, evitar que isso aconteça sequer uma vez em duas horas de filme é coisa de gênio. Assim, ao acabar a película, se para uns foi apenas uma experiência de conhecer como um dos sites mais famosos do mundo foi criado, para outros a discussão prossegue: uns defendendo as ações de Mark e outros as contestando. E, graças a esse magnífico trabalho de roteiro e direção, ambos tem muitos argumentos para se valer das suas convicções;  do mesmo modo que nas nossas vidas as ações e suas consequências nunca são vistas do  mesmo jeito por quem nos conhece assim acontece com Mark Zuckerberg, o tímido rapaz da foto abaixo que realizou seu sonho, mas destruiu o de muitos outros.

Nota: 9/10

O mais irônico da foto abaixo (da visita de Mark ao Brasil e a MTV local) é que eu retirei ela do próprio Facebook do rapaz. Touché

Written by _ricardo

14/11/2010 at 19:37

Review do RockMelt: o navegador das redes sociais

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Do mesmo criador e idealizador dos browsers de Internet (e criador do Netscape, 1º programa de acesso a Internet semelhante aos que temos atualmente), nessa segunda-feira foi lançado o navegador RockMelt, anunciado como diferencial se comparado aos concorrentes principais (Internet Explorer, Firefox e Chrome): a integração com as redes sociais.

Após fazer seu download e alguns testes no seu desempenho faço deste post uma modesta revisão do navegador.

Primeiramente, é preciso ter uma conta no Facebook para usá-lo, pois sua inicialização se dá através de um login na rede. Fato que é aceitável, visto que o software tem como principal objetivo agregar as redes sociais à navegação em páginas comuns, para que o usuário dispense de programas adicionais e tenha todas as informações concentradas em um programa.

Criado a partir da estrutura do Chrome ele muito se assemelha ao navegador do Google, principalmente no que diz a pouca memória consumida, tendo uma velocidade de carregamento muito boa. Além disso, o estilo das abas e layout da barra de endereços e favoritos é praticamente igual. É nessa simplicidade de aprendizado que reside meu destaque para o software (+1).

Mas as semelhanças param por aí. (coloquei uma imagem dele acima para facilitar a visualização do que escrevo a seguir).

A principal inovação que o software agrega são as colunas na lateral esquerda e direita (chamadas de “edges”). A coluna da esquerda mostra em pequenos avatares seus amigos do facebook e tem a finalidade servir como janela para bate-papo com cada um deles. Para quem tem muitos amigos no Facebook, a dica é organizá-los através de favoritos que aparecem, então, no topo. A janela da conversação é mais simples que um programa como o MSN, porém muito eficiente, diria até, melhor que o GTalk da conta Gmail. Mas, a coluna que rouba mais atenção é a da direita, onde está a integração com as atualizações (recados, fotos, etc) dos seus contatos no Facebook e que na qual é possível adicionar contas do Twitter. Para ambas contas a cada mensagem recebida há uma notificação discreta no ícone da rede. Porém, o primeiro ponto negativo (-1) é devido ao fato de que a ação de tuitar não se dá junto ao botão do Twitter (nele você somente lê sua timeline e mentions). Para tuitar você utiliza o mesmo botão onde se atualiza status no facebook – primeuiro botão da coluna da esquerda.

Mas, um ponto positivo (+1) e a possibilidade promissora de adicionar na coluna da direita feeds de outros sites, como por exemplo, um jornal (funcionou bem com o Estadão e New York Times) ou até mesmo uma conta de Twitter que você sempre acompanha (as possibilidades são muitas). Além desses feeds, por ser baseado no Chrome, as mesmas extensões do navegador do Google rodam perfeitamente no RockMelt. Deste modo, a navegação fica completa ao agregar extensões usuais, como a conta de e-mail (Yahoo, Gmail, Hotmail), pesquisa na Wikipedia, tradutor instantâneo. E o melhor, as extensões instaladas no seu RockMelt são as mesmas que você verá ao usar o RockMelt em outro computador, pois ficam gravadas na sua conta de usuário (+1). Mas, por ainda estar na versão Beta as futuras versões devem aumentar possibilidades de integração. Porém, não se engane: acho difícil o Orkut receber uma atenção especial como ocorreu com Facebook e Twitter. Escrevo com muita convicção que a migração Orkut > Facebook realmente compensa.

Mas, a coisa mais legal (+1) do programa é a fácil disseminação de conteúdo via Facebook (que é a premissa do RockMelt), pois em QUALQUER site/reportagem/conteúdo é possível clicar no botão Share na barra de endereços e compartilhar o conteúdo com seus amigos – simples assim. Aos usuários mais afoitos, recomenda-se aí controle pois, realmente, com a facilidade existente, a vontade de compartilhar links no Facebook pode ultrapassar o limite do bom senso.

Outra particularidade está na pesquisa, com sua Barra de Pesquisa cujos resultados não abrem em uma nova aba (a menos que você queira), mas sim num pequeno pop-up que permite melhor visualização dos sites dos resultados, sem que se feche a relação de todos resultados. Abaixo está um exemplo que testei procurando o filme Poderoso Chefão, em inglês The Godfather.

Enfim, listei nesse texto 4 importantes pontos positivos do navegador e 1 ponto importante negativo. Logo, essa parcial “Vitória” do RockMelt encoraja a apostar nesse navegador em duas frentes:

– como promessa de desenvolvimento de extensões, apostando sempre na simplicidade e CONVERGÊNCIA de informações;

– como modelo a ser copiado pela concorrência (que sempre faz isso. Foi assim com as abas, extensões,…..).

Ressalto ainda, que a rapidez do software, bem como a simplicidade de integração podem ser responsáveis pela fácil perda de foco num trabalho que exija atenção (imagina a cena: você tentando fazer algo importante na internet e de repente começa a conversar pelo chat, enviar links de vídeos legais do Youtube, verificar seu Twitter, e quando se dá por conta deixou de fazer seu trabalho). Mas, isso transcende o RocketMelt: a evolução do modo como as informações são disseminadas nos coloca num momento crucial de aprender a lidar e filtrar o que nos é relevante.

Ficou curioso para baixar o RocketMelt ? Para isso, você precisa ou receber o convite de algum um usuário que já utilize ele (e seja seu amigo no Facebook) ou solicitar um convite através do site oficial clicando aqui.

Bom uso do RockMelt. Abraços.

Discordou ou tem dúvida ? Deixe um comentário.

Update*

1 – Ainda não consegui abandonar o TweetDeck para tuitar, pois quanto a conta de Twitter o RockMelt fica devendo, mas estou usando ele e a navegação está sendo satisfatória.


Written by _ricardo

12/11/2010 at 00:12

The Runaways: vivendo no limite – uma bela surpresa

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A banda ‘The Runaways’, que se originou em meados da década de 70 enfim ganha um filme mainstream.

E ele não decepciona.

The Runaways: a banda real

Ver no cast nomes como Dakota Fenning e Kirsten Stewart pode fazer um crítico de cinema duvidar do êxito da película, em função da recente carreira das duas ser recheada de “bombas”, como a “saga” Crepúsculo. Mas, dessa vez foi diferente. Kirsten Stewart, também conhecida como protagonista de Crepúsculo interpreta a líder da banda Joan Jett, e se sai muito bem, dando os contornos masculinos que a personagem realmente tinha e liberando toda sua agressividade em cima do palco. Já Dakota, faz a sua melhor performance da carreira, trazendo pra si toda a responsabilidade da garota do subúrbio que se liberta no submundo do rock ‘n roll da década de 70. Somado a isso ainda há a atuação excelente de Michael Shannon, indicado ao Oscar pelo brilhante Revolutionary Road (Foi Apenas um Sonho), que agora é o produtor que tem o feeling para toda sexualidade que as garotas (que tinham em média 16 anos quando começaram) precisavam encarnar para serem rainhas do rock.

Com vários elementos claramente inspirados naquele que é um marco aos filmes de banda, Quase Famosos (Almost Famous) de 2000, a direção tem um ritmo excelente, sabendo sincronizar as músicas com a agressividade do momento.  Os pontos fracos do filme dizem respeito a história real da banda, onde o rompimento entre as garotas não aconteceu num simples final de semana, foi um ódio crescente entre as cantoras que levou algum tempo. Além disso, demais integrantes da banda são um staff para as personagens Joan Jett(Kirsten) e Cherry ‘Bomb’ Currie (Dakota), pois não desempenham nada significante na trama.

Porém, se é incapaz se retratar toda a trajetória da banda em quase duas horas de filme, o tributo prestado a elas, bem como a habilidade das atrizes em cantar os hits como ‘Cherry Bomb’ e ‘I love Playin with fire’ é digno de nota e merece elogios pela vivacidade dos momentos – como a turnê no Japão com os japoneses fanáticos pela banda – e das letras poderosas para a época.

O filme que inicialmente tinha tudo para me decepcionar é uma bela surpresa que vale o ingresso no cinema e conhecer um pouco mais sobre a banda. Abaixo há o trailer do filme com a onipresente ‘Cherry Bomb’ como trilha.

A história das 4 garotas que queriam tocar rock e adentrar num mundo onde só os homens faziam sucesso chega aos cinemas do Brasil ainda em setembro de 2010.

*Update: a estreia nos cinemas nacionais foi adiada para dia 08/10.


Nota: 8/10

Written by _ricardo

30/07/2010 at 22:12

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