Blog do @_ricardo

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Archive for the ‘Papo sério’ Category

Cansei.

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Depois de mais uma tragédia, dessa vez o Brasil e os especialistas que sempre se orgulharam em dizer “chacina em escola não acontece em terra tupiniquim. Isso é produto de culturas com pessoas frias e dissimuladas, como os EUA” ficaram chocados. Eu fiquei chocado.

E o fator “crianças” (no plural) envolvido na história de Realengo só nos sensibiliza mais.

Mas, cansei da Internet hoje. Cansei das pessoas que não tem nada para dizer e não são bons ouvintes (nesse caso, leitores) e, para não perder a oportunidade, soltam um “quem fizer piada sobre isso é idiota”. Mas é claro que é um idiota. Eu, você e todo mundo já sabíamos.

Cansei dos jornalistas, que enquanto não apuram mais dados ficam esmiuçando de forma constrangedora o pouco que tem. Dos jornalistas que, mesmo sabendo que o assassino escreveu uma carta e entrou armado, afirmam que “PROVAVELMENTE foi um crime premeditado”. Cansei de, em casos como o de hoje, tudo ser embasado por estatísticas. E, cansei dos portais de notícia criarem hot-sites para o ocorrido.

Cansei disso tudo. A tal ponto que cansei de escrever sobre isso. De protestar veementemente. Porque protestar sem uma diretriz e sem uma boa dose de paciência é apenas entulhar as timelines com ideias efêmeras. Por isso, não escrevo nada diretamente no Twitter e esse post fica como um registro da minha opinião.

É preciso se acostumar e aprender com o papel das redes sociais em dias como o de hoje. Mas, se é para se acostumar do jeito que as coisas estão, prefiro ficar offline. Não desisti da humanidade como ser humano, apenas dei um block em quem não quer perder a oportunidade de se calar e refletir.

 

Update:

Observatório de Imprensa publicou um belo texto sobre o ocorrido – “Assim, as estrelas do mal são notícia. Os que sacrificam os nossos inocentes são a nossa esfinge: não temos como ignorá-los; não temos como não noticiá-los. Mas teremos como superá-los? Iremos escapar deles?” O link aqui.

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Written by _ricardo

07/04/2011 at 16:29

Sociedade brasileira dos 140 caracteres

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Com as redes sociais, o estímulo a comunicação sem realmente saber quem é o interlocutor vem se intensificando e temos acompanhado uma mudança na forma de agir e externar as opiniões e características próprias dos usuários do Twitter, Facebook, Orkut e afins.

Recentemente, com a crise na segurança pública no Rio de Janeiro, a opinião do grande público se dividiu entre aqueles que se revoltaram com o ocorrido mas pensavam que não poderiam fazer nada a não ser ficar teorizando por que isso aconteceu e os notórios piadistas. O primeiro grupo claramente é liderado por José Padilha, que de uma hora para outra passou de diretor de Tropa de Elite para comentarista político e social da Rede Globo. Como alguém escreveu na Internet: “seria como entrevistasr Steven Spielberg (que produziu o filme ‘ET’) para comentar uma invasão extraterrestre”.

Enquanto isso, a outra metade das redes sociais viu essa situação de caos como uma oportunidade: “por que não criar um trocadilho ‘esperto’ fazendo piada da desgraça?” O problema é que muitos pensaram assim, e o que poderia ser engraçado mostrou um vazio na capacidade reflexiva do nosso povo. Do nosso povo que primeiro vota no Tiririca e depois quer mandar ele embora. Do nosso povo que é xenofóbico com os nordestinos. Do nosso povo, o povo brasileiro que aprendeu com os norte-americanos como realmente perder o senso do que é certo, errado ou discutível.

Como está escrito no blog Cadê meu Dorflex, “essa ânsia por ser alguém, ou não ser ninguém, faz com que as pessoas externem uma pequena fração do que elas são de verdade…….Outras ‘qualidades’, como ser ácido, cínico, sarcástico e irônico também são vistas com bons olhos hoje em dia. Na verdade todas são variações da mesma falácia. O sujeito tem a audácia de se auto-definir como uma pessoa ‘ácida’. Me pergunto se ele consegue derreter metais se encostar nestes.”




Written by _ricardo

11/12/2010 at 15:58

Publicado em Papo sério

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O Papa é emo, o pop é emo

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Seja no Twitter, Last.fm ou em nicks de MSN: a única coisa que cresce mais do que as polêmicas entre Serra e Dilma é o movimento emo-happy-trash, ou algo assim, que mantem por tempo indeterminado um cara indivíduo chamado Justin Bieber entre os assuntos mais comentados no mundo (Trending Topics).



E, no Brasil, a Família Restart já está de militância (maior que a do PT) para lutar contra o sistema que não gosta dos garotos e suas músicas, chegando a absurdos como o vídeo abaixo. Sim, ok, isso seria típico de fãs de quase todas as bandas/grupos, mas o que vale aqui é que, sem grande demagogia, a alienação causada pela Internet, já encontrou seu público-alvo, sedento por financiar as futilidades de bandas como Cine e Restart, enquanto tantas outras, com muito mais talento, sucumbem no submundo dos indies, sem gravadoras ou um hit que tenha a fórmula pronta para tocar na FM mais próxima.

Written by _ricardo

02/05/2010 at 11:48

Retrocesso.

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O texto abaixo é um post do blog do “Tio Dino“, o qual eu  recomendo pela riqueza e clareza das ideias publicadas.

Feito o jabá, reflitam um pouco sobre as novelas:


Novelas: um drama brasileiro


Há anos vejo a mesma novela: a da TV Globo e a da minha vida para não atrasar as contas. Bem, pode sentar que este texto será comprido feito a mais recente do horário nobre.

(…)

E lá se vai a dona de casa brasileira Viver a Vida em frente a uma TV por mais uns meses. É a nossa tradição teledramatúrgica. Provocar o pensamento mediano e a trombose profunda.


O folhetim nacional é um mercado internacionalmente conhecido e respeitado. Recheado de sucessos, exportador de produtos e um quadro fixo no Casseta & Planeta.


Interferir em um costume como esse é inadmissível. Nem governos conseguem burlar tamanha resistência. Até porque suas mulheres não vivem sem os resumos.


Provavelmente se você perguntar do que se trata o capítulo, a dona Maria não sabe explicar direito. E se refere à Regina Duarte sempre como Porcina e ao Fagundes como um Berdinazzi. São mais que personagens, são carmas.


Nas ruas, atores e atrizes são injuriados quando vilões e venerados quando mocinhos. Se não pertencem a nenhuma das castas, eles viram um ser randômico, tendo seus bordões repetidos a exaustão pelos populares. Bordões estes sempre escritos de maneira forçada, para pegar. Mas que depois em entrevista o autor nega de forma veemente, dizendo que saiu, assim, ao acaso. Milagres da ficção.


Fora da tela, há o controle fanático dos colunistas de TV. Bem que com o advento do High Definition, as intenções deles também poderiam ser um pouco mais claras.


Pode escrever aí: a história é tão importante que o jornalista sempre guarda mais espaço para a nota com os números do Ibope. Evidenciam que a novela X, há X anos não tinha uma audiência tão ruim. E, ao final, volta para dizer que a novela X superou todos os recordes do horário. Tão clichê quanto o final de uma.

manoel_carlos

Manoel Carlos: a Helena nossa de cada dia nos dai hoje


Como é feita uma novela (consultoria informal de Wolf Maya)

Gráfico:

COMEÇO – DEPENDENDO DO IBOPE FAZ SENTIDO – FIM.

linha

Gráfico detalhado de como a história de uma novela é conduzida


A sinopse é a única coisa que não muda em uma trama. Até mesmo porque precisa ser entregue com quase um ano de antecedência.

Capítulo: como os primeiros 15, 30 são gravados na pauleira, pouca coisa pode ser mudada se na primeira semana o povão não entender nada. Em seguida, é feita uma reunião com donas de casa que apontam coisas interessantes, como o brinco da protagonista ou então pedem para o José de Abreu colocar a camisa.


No capítulo final, independente do que aconteça com a economia muncial ou com os conflitos no Oriente Médio, há casamentos e filhos sem a ajuda da inseminação.


Flashbacks são inseridos na metade da história para realocar telespectadores com lapsos de memória. E, SEMPRE, estas cenas são acompanhadas de um efeito sonoro “SFIUUU”, borrando as laterais e saturando personagens. Pro povo entendê quié passado.

(…)

mayer

Mayer, apelidado entre os colegas de “água de bateria”: come tudo


Quando é para falar merda, o brasileiro é muito unido. É só observar por estes dias. O assunto mais comentado nas rodas da web é o ator José Mayer.


Conhecido galã já passado há tempos da primeira fervura, elevou-se a condição de “Chuck Norris” da junção carnal.


Então a partir daí você começa a imaginar a quantidade de piadas derivadas. A cada ereção dele, um nariz é quebrado (exemplo).


Se ele traçou a quantidade de gente que as piadas anunciam, é bem provável que você já tenha levado ferro antes mesmo de terminar este texto.


Se ainda não, para garantir deite de barriga pra cima.

(…)


Você notou que pulei de um assunto para o outro sem critério nenhum. Acho melhor parar por aqui. Me sinto fraco e confuso como um enredo de novela das 8.


By Dino Cantelli

FIM.

Written by _ricardo

21/09/2009 at 19:37

Metas para a semana ?

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leiamaisDica do @brogui.

Written by _ricardo

07/06/2009 at 20:14

Publicado em Papo sério

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One for the money and Two for the show

with one comment

Se tem uma coisa que a internet e a mídia atualmente trouxeram foi o apego a coisas sem valor. Você obrigatoriamente tem que curtir modismos. Ou odiá-los. Não há uma terceira opção. É algo que une as pessoas, as aproxima e as torna mais estúpidas.Este é o princípo das redes sociais, um ponto de encontro de gente que adora ou odeia a mesma coisa. E adorar/odiar pouco não vale. Tem que seguir aquilo a risca. Se dedicar à convicção e ter uma mente fechada para não aceitar nada do contrário.

Indiferente

Nesse contexto surgem identidades culturais que em outra epóca não teriam espaço, surge um coro do povo: “Ronaldo!”. Por que? Eu não sei. Poucos sabem, só repetem. É só procurar um vídeo do Youtube que os brasileiros veem. Está lá nos comentários essa frase e o famigerado “peitinho”.  Para mim essa é a prova clara que  roteiristas, publicitários e empresários das mídias dessa sociedade web2.0 (ou seria 3.0 ?) já não precisam se focar tanto no conteúdo, em algo bem elaborado. Basta colocar um bordão (se for preconceituoso soma mais uns 5 pontos !) e curtir o aplauso.

Macaco quer banana e para isso faz qualquer coisa.

Essa ideía de ter que gostar ou odiar alguma coisa (ou pessoa) dá impressão que não há mais nenhum alienado andando por aí. Eu, porém, prefiro não ter uma opinião formada, até mesmo ser indiferente, do que ter opinião formada simplesmente para seguir a maré.

Written by _ricardo

23/05/2009 at 18:29

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