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Review: O Discurso do Rei (The King’s Speech)

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Favorito ao Oscar de melhor filme neste ano, O Discurso do Rei, no decorrer dos seus quase 120 minutos, em muitos aspectos parece um filme que já vimos. Se relembrarmos a teoria de Joseph Campbell chamada de Jornada do Herói, onde o protagonista vai vencendo seus desafios até se deparar com o desafio final (sempre nas últimas cenas dos filmes) e tudo isso só acontece pois há a ajuda de um mentor, o filme de Tom Hooper tem muitas semelhanças.

A história do Rei da Inglaterra, George VI, que além de reinar precisava transmitir confiança aos seus súditos em um momento tão delicado (início da 2ª Guerra Mundial) ganha, na gagueira do protagonista, um instrumento que aproxima o espectador ao filme, priorizando uma abordagem mais intimista e até sentimental do drama que o Rei enfrentava. E, se além de transmitir o status da Realeza inglesa da década de 30 o Rei ainda precisava conviver com seus medos e falta de aptidão para discursar, o papel não poderia ter tido melhor escolha que para o ator Colin Firth. Assim, com uma atuação que nunca deixa de lado a importância da posição que ocupa, o ator mesmo assim consegue mostrar o lado humano do Rei e seu desespero para reinar de forma a ser respeitado, o que naquele momento significava não gaguejar. Mas, aí está uma ironia do filme, que focado muito mais na evolução da oratória do protagonista deixa em segundo plano os anseios do povo britânico, supervalorizando o próprio discurso em si. Por mais que na Inglaterra ações da Realeza sejam muito mais simbólicas (o Parlamento toma as decisões políticas), um Rei em tempos de guerra precisa estar em sintonia com seu povo e isso inclui muito mais do que discursos escritos por terceiros.

Retomando a comparação com a Jornada do Herói o mentor,  neste caso  o especialista em problemas de fala, interpretado por Geoffrey Rush é um personagem com ações mesmo que bruscas, como ignorar os títulos da Realeza, previsíveis para quem acompanha cinema. Mas, se está na cara a sequência de suas ações (como a de não revelar imediatamente que na gravação do disco o personagem de Colin não havia gaguejado), elas são necessárias para que se crie uma amizade entre os dois e a melhoria na dicção do Rei não seja puramente mecânica, e sim, que seja um conjunto de fatores, entre eles, a autoconfiança do monarca.

O ponto de destaque do filme é a direção manipulativa e extremamente eficiente de Tom Hooper. Manipulativa, pois ele deliberadamente induz o clima de pânico que George sofre ao tentar discursar ao espectador fazendo sempre, em todo o filme, tomadas de rosto nas cenas de tensão e tomadas panorâmicas quando nada importante está em jogo. Soma-se a isso uma trilha sonora que constrói a partir da música clássica momentos de agitação e lirismo (confesso que na corrida ao Oscar, quando cogitavam a trilha deste filme como potencial concorrente sempre me pareceu um absurdo, mas se ela não é genial como a de Trent Reznor e Atticus Ros para A Rede Social, ela é pelo menos fundamental na construção dos três fatores que fazem o filme ser bem sucedido: Colin Firth, direção de Hooper e a trilha de Alexandre Desplat)

Ainda no campo das atuações, Helena Bonham Carter, contraria os que esperam dela atuações exageradas e interpreta muito bem a Rainha, discreta (como deveria ser segundo o roteiro) e cúmplice do seu marido nas suas angústias.

Por fim, O Discurso do Rei é um filme agradável de ver, que preza pelo primor da técnica a serviço da aproximação do espectador, mas que em seu roteiro (e ambições do diretor) não ousa em momento algum (basta reparar na previsibilidade da cena final), podendo por isso, ser considerado banal por alguns. Creio ser um exagero, assim como um exagero é vê-lo ser considerado o Melhor Filme de 2011.

Nota: 4/5

 

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Observações:

1 – a partir deste post as “notas” dos filmes serão sempre de 1 a 5 estrelas, abolindo notas decimais.

2 – o layout do blog precisou ser alterado, pois como a ideia do blog é privilegiar o textos dos posts isso não vinha ocorrendo com o antigo layout que limitava demais a largura para os textos.

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Written by _ricardo

20/02/2011 às 05:19

Uma resposta

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  1. […] O Discurso do Rei (King’s Speech) – Colin Firth mostrando porque é um dos melhores atores de Hollywod. Fique de olho nesse filme. Favoritaço a ganhar por melhor filme (crítica dele aqui). […]


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