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Oscar: Acima de tudo, um prêmio e As escolhas mais “duvidosas”

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Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que um prêmio, de modo geral, nada mais é do que uma a afirmação de uma obra ou pessoa frente aos seus votantes. Simples. E é o mesmo que ocorre no Oscar, cujos vencedores são os que melhor representam o estado de espírito e visão dos seus votantes. Embora no Oscar, os votantes sejam muitos (mais de 5.000), ainda assim são produtores, diretores, atores, etc., inseridos no mercado hollywoodiano com opiniões próprias que podem muito bem ser distintas da sua. A arte é universal, mas como pautar a arte, nesse caso a cinematográfica, negligenciando o contexto pessoal do espectador. De nada adiantam filmes primorosos tecnicamente se não criam interação com VOCÊ. Enfim, uma obra de arte precisa ser “sentida” por quem a aprecia, e não importa se o que desencadeie isso for uma memória da infância, um trauma da vida ou uma tomada perfeita do diretor.

 

Nem sempre os filmes proclamados “melhores” por segmentos da crítica (a mais elitista, a indie, a estrangeira,…) são premiados. Às vezes, filmes centrados em temas como guerras ou ascensão de mercados emergentes (o último caso foi o da Índia) recebem mais atenção que os concorrentes por estarem no lugar e na hora certa. Inegavelmente, o Oscar tem como trunfo de trazer ao mainstream ótimos filmes que dificilmente seriam conhecidos do grande público e, como no caso de Guerra ao Terror, seriam lançados diretamente em DVD. E é sob esse prisma que o prêmio é odiado por uns (que sempre consideram as escolhas injustas) e amado por outros (que se sentem importantes ao ver que suas escolhas são compactuadas pela cúpula da Academia).

 

No limiar de vermos a derrota da Rede Social para O Discurso do Rei na categoria de melhor filme (e diretor possivelmente) aí vai um pequeno apanhado das vezes, em que EU considero que a Academia privilegiou filmes muito mais por aspectos tangentes a obra do que pela película em si:

1990 – Dança com Lobos – O filme de Kevin Costner, sobre “a conquista do oeste” norte-americano e a Guerra contra os índios repaginou o gênero e o tema com qualidade, mas é inadmissível que Good Fellas: Os bons companheiros, uma das obras primas do cinema da década de 90, tenha sido deixada de lado. A história da Máfia, sem o romantismo de O Poderoso Chefão, ainda hoje continua um marco para o bom cinema.

1981 – Carruagens de Fogo – um filme que “nem de longe” é bom ganha o prêmio de melhor filme, pois naquele ano, na falta de um grande filme, a Academia optou por negligenciar o filme de Indiana Jones e os Cavaleiros da Arca Perdida. A única contribuição que Carruagens de Fogo trouxe, foi que depois dele é impossível assistir ou pensar numa maratona e mentalizar a tradicional música-de-maratona (sim, essa mesma que você está pensando) composta pelo Vangelis para o filme.

1980 – Gente como a Gente – o queridinho da Academia Robert Redford ganha a frente desse filme como diretor. É um excelente filme, denso e sentimental, porém, muito bem sustentado pelo roteiro e atuação do cast principal. É um filme que aprecio muito. Mas, no outro lado da disputa havia o filme que está em 9 de 10 listas dos melhores de todos os tempos: Touro Indomável. Dispensa apresentações, se não viu, esperando o quê?

2001 – Uma Mente Brilhante – um filme que facilmente agrada a todo mundo e tem seus méritos por isso. Mas, o exagero de ser considerado o melhor daquele ano não é justificável, principalmente por se tratar de um filme altamente manipulativo, pois não dá ao espectador o espaço de fazer seus próprios julgamentos sobre os personagens, especialmente na história do protagonista (Russell Crowe) que é retratada como vítima de sua própria genialidade. O resultado foi que O Senhor dos Anéis: A sociedade do Anel (primeiro filme da trilogia), que é o melhor dos três passou em branco e, então 2 anos depois a Academia tentou se redimir laureando o O Retorno do Rei (3° e último filme da trilogia) com 11 Oscars, incluindo melhor filme, sendo que é inferior A Sociedade do Anel.

1979Kramer vs. Kramer – um excelente filme, mas assim como Gente Como a Gente, estava no lugar e ano errado, pois venceu Apocalypse Now.

Mas, o exemplo mais claro destas escolhas no Oscar é o próximo:

1998 – Shakespeare Apaixonado – Tudo nesse filme é errado, a começar por Ben Affleck não conseguir segurar o sotaque inglês durante todo o filme ou simplesmente, Joseph Fiennes, tentando atuar. Nesse ano a Academia resolveu premiar uma comédia romântica apenas porque pintava contornos da nobreza (um alô para O Discurso do Rei !). Para se ter a idéia do absurdo desse prêmio qualquer um dos outros 4 filmes que concorriam a melhor filme eram melhores. Não, eram infinitamente melhores. E foi assim, que nem o italiano A Vida é Bela, nem Spielberg reconstruindo todo um gênero que parecia fadado à mesmice em O Resgate do Soldado Ryan ganhou a estatueta.

Mesmo sendo o prêmio máximo do cinema, que virou referência a muitas premiações (ou vai negar que você nunca escutou algo do tipo “o Oscar da publicidade, o Oscar do….”) ainda assim é um prêmio: que faz suas dúbias escolhas, mas nos oferece a oportunidade de torcer pelos nossos favoritos e dissertar sobre isso.

 

 

Não concordou com os exemplos?  Tem algum faltando? Pra quem é a sua torcida?

Essas e muitas outras perguntas podem ser respondidas nos comentários 😉

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Written by _ricardo

10/02/2011 às 16:08

Publicado em filmes e seriados

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