Blog do @_ricardo

Cinema, economia, música e atualidades convergem aqui

Review: A Rede Social

with one comment

A Rede Social (ou, no título original, The Social Network) é, até o presente momento, o favorito para ser o grande vencedor no próximo Oscar, incluindo melhor filme. E isso se justifica por um fato óbvio: o filme é muito bom.

O enredo do filme gira em torno da história da criação (e ascensão) do Facebook, a rede social com maior número de usuários no mundo, e que ditou algumas tendências quanto ao modo de compartilhar informações pessoais na Internet. Mas, mais do que isso, o filme é uma síntese da personalidade controversa do seu criador, Mark Zuckerberg, um nerd de Harvard que se vê bilionário com menos de 24 anos.

E a primeira cena do filme já é arrasadora. Com som do White Stripes ao fundo, o diálogo entre Mark e sua namorada transcorre com uma velocidade impressionante, que há muito tempo não se via num filme mainstream. As ideiais do jovem entusiasta já parecem não caber no plano da filmagem, e antes que o telespectador perceba, o filme já passou sua primeira mensagem: “Ei, preste muita atenção nos diálogos dessa história, pois nesse filme eles serão rápidos e inteligentes. Esse conselho irá fazer muita diferença na sua apreciação do filme”. E, desde esse ponto, a dobradinha David Fincher (diretor) e Alan Sorkin (roteirista) começa a fazer sentido, pois para que o filme caminhe de forma orgânica ambos precisam estar em sintonia, e principalmente, um não querendo aparecer mais do que o outro. Então, Alan Sorkin (roteirista da aclamada série The West Wing) constrói um roteiro meticuloso e plausível ao ambiente da história (jovens universitários com pretensões e potencial para serem muito ricos) . Aí, Fincher (consagrado por Clube da Luta) gentilmente abre mão de experimentalismos na direção para fazer tomadas centradas, mas rápidas, preocupando-se muito mais em montar e enquadrar os cenários perfeitos do que conduzir travelings intermináveis com a câmera (e com o que mais seria? :p). Assim, a fotografia encaixa-se muito bem com a direção do filme, dando ao filme uma clara distinção entre o ambiente de Boston (Universidade de Harvard), onde predomina a névoa e os tons de verde e o da Califórnia, para onde Mark vai quando percebeu que seu negócio, o Facebook, poderia ser um grande empreendimento, onde paira uma atmosfera construída por elementos que privilegiem a nitidez, vindo ao encontro dos escritórios da sede do Facebook, com poucas divisórias, e as existentes em vidro. Mas, quando necessárias cenas de ação, sem diálogo, Fincher nos mostra porque é um dos diretores mais constantes da Hollywood atual, arquitetando uma cena de uma competição de canoagem que busca explorar a ação de modo sensorial.

O roteiro do filme se, por um lado, é simplista ao abordar apenas uma grande trama linear, não oferecendo novas vertentes a história, por outro é excelente e pragmático, pois parte da limitação de basear-se numa história real, e aproveita os processos judiciais que Mark Z. disputou como ponto de partida para introduzir um novo capítulo a história. Os processos judicias foram travados pois Mark foi acusado de roubar a ideia original de criar site, e também por trair seu melhor amigo (e co-fundador do site), tirando sua participação nas ações da rede social – para conduzir os vários estágios de maturação e desenvolvimento do Facebook.

E o que dizer de Jesse Eisenberg, que interpreta o protagonista? Se fisicamente lembre Michale Cera, a atuação de Jesse diverge completamente das pseudo-caretas feitas por Michael em seus filmes. É interessante notar como Jesse constrói uma expressão serena (e muitas vezes distante), mas que se altera completamente em momentos de inspiração ou no deslumbre que ele tem ao encontrar personagem de Justin Timberlake pela primeira vez.

Um ponto de fundamental importância no filme é a edição/montagem, tanto visual como a de som, essencial para a alternância entre as cenas carregadas de diálogo. Mas, o ponto principal do filme (e que coloca Alan Sorkin como o preferido da Academia para ganhar o Oscar de melhor roteiro) é a habilidade de mostrar a personalidade de Mark (egoísta, inteligente, e pouco complacente com todos, inclusive seus amigos) sem posicionar-se sobre o comportamento do jovem caindo num moralismo. Acreditem, evitar que isso aconteça sequer uma vez em duas horas de filme é coisa de gênio. Assim, ao acabar a película, se para uns foi apenas uma experiência de conhecer como um dos sites mais famosos do mundo foi criado, para outros a discussão prossegue: uns defendendo as ações de Mark e outros as contestando. E, graças a esse magnífico trabalho de roteiro e direção, ambos tem muitos argumentos para se valer das suas convicções;  do mesmo modo que nas nossas vidas as ações e suas consequências nunca são vistas do  mesmo jeito por quem nos conhece assim acontece com Mark Zuckerberg, o tímido rapaz da foto abaixo que realizou seu sonho, mas destruiu o de muitos outros.

Nota: 9/10

O mais irônico da foto abaixo (da visita de Mark ao Brasil e a MTV local) é que eu retirei ela do próprio Facebook do rapaz. Touché

Anúncios

Written by _ricardo

14/11/2010 às 19:37

Uma resposta

Subscribe to comments with RSS.

  1. […] – A história da criação do Facebook e a persoanlidade controversa do seu criador. Crítica aqui no […]


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: