Blog do @_ricardo

Cinema, economia, música e atualidades convergem aqui

Up in the Air: como gastamos nosso tempo ?

with one comment

Esta é uma crítica ao filme UP IN THE AIR, ou se preferir, AMOR SEM ESCALAS (horrível título em terras brasileiras). Portanto, se você não assistiu ele, o texto conterá spoilers.

Depois de títulos muito bem considerados pela crítica, como Juno e Obrigado por Fumar, Jason Reitman ganha a confiança de um estúdio, a Paramount, para realizar seu primeiro filme onde todos seus desejos são atendidos. E nisso ele se sai muito bem, pois como primeira ação contrata George Clooney para ser o protagonista do longa.

Up in the Air é a historia do executivo sem lar, que viaja pelos Estados Unidos para demitir pessoas, pois os chefes desses funcionários não tem culhão para isso. Uma sinopse que vem ao encontro da situação econômica da maioria dos países, e especialmente dos EUA, que se viram obrigados a demitir boa parte da sua força de trabalho, não importando se essas pessoas são os melhores funcionários, os mais antigos ou os que mais precisam da remuneração.

Assim, sob esse prisma, George Clooney, o sujeito que viaja 326 dias por ano, que conhece mais a rotina do check-in nos aeroportos do que a cor dos lençóis do seu apartamento de um quarto, o filme é construído. Assim, sob o tema central do significado e efemeridade da vida, Jason Reitman constrói as personagens que rodeiam o protagonista para que se criem conflitos e revelem a personalidade de Clooney.

Por si só, o filme tem o potencial de ser um clichê, pois o fato de dar significado a existência passageira que é a vida humana na Terra, já foi explorada praticamente de todos os modos pelos filmes (e livros e músicas). É esse principal ponto que destaco no filme, a audácia de escolher esse tema e de trilhar uma linha escorregadia onde é muito fácil cair no lugar comum, em mais um clichê. De modo geral, o filme se sai muito bem nesse ponto e esse é o principal mérito da direção confiante de Reitman, que apoiado por uma fotografia que não rouba para si as cenas (porque, convenhamos, seria a coisa mais fácil articular uma edição com cenas de aviões majestosos e ser humanos pequenos perto deles) constrói cenas belas, como a do cais, onde tudo (atuação, direção e técnica) coexiste numa harmonia incrível.

Somado a isso, está a atuação de George Clooney, que a cada ano e cada papel valoriza sua imagem perante a mídia, escolhendo papéis onde é fácil se apegar, claro que isso só acontece efetivamente pelos seus méritos como ator. Nesse filme não é diferente, e em cenas como a que ele apenas assiste o noivo se desculpando com sua sobrinha antes do casamento, sua presença e atuação na sala é tão marcante que o foco principal dela parece ser sua personagem. Porém, as demais atuações (como as de Vera Farmiga e Anna Kendrick) estão na média, sem deslizar, mas nada que as faz merecer prêmios ou grandes menções.

Ainda sobre a direção de Reitman, que evoluiu consideravelmente desde Juno, pois embora não tão inovador, constrói a cena da mala de Clooney deslizando sobre o chão do aeroporto de forma métrica e cativante. Vemos, no entanto, alguns vestígios de seu lado mais cult como nas cenas o casamento e sua direção tentando parecer amadora, intencionalmente é claro (não achei necessário, porém).

Alguns defeitos chamaram minha atenção, e são principalmente de cenas clichê, pois como eu disse, é muito difícil falar sobre os temas do filme sem fazer “mais do mesmo”. Entre essas cenas, destaco a descoberta de que a personagem de Vera Farmiga (a “namorada”) tinha na verdade uma família bem estável e que Clooney era sua aventura, uma brincadeira. Destaco ainda, a edição que consegue quebrar um continuísmo com os nomes das cidades colocados em letras cheias na tela, de forma bem evitável, engessando o filme.

Não há como não falar da trilha e suas canções, que inexplicavelmente não estão na disputa dos principais prêmios (espero que o Oscar corrija isso), pois com canções de letras poderosas faz muito pelo filme e é superior a outras trilhas que são consideradas favoritas.

Enfim, com um roteiro que mostra uma visão humana, mas racional de quem é demitido, que vê naquele momento sua vida acabar, o filme tem um final não excepcional, mas muito digno. Para ser favorito como melhor filme lhe falta um décimo de originalidade, mas sim, com certeza é um dos filmes do ano e uma profunda e verdadeira reflexão sobre o que planejamos para nossa vida, qual significado lhe atribuímos: impactar o mundo e deixar seu nome escrito ou ter uma vida feliz que sirva de orgulho e exemplo para os mais próximos?

Nota: 8,9/10

Concorda comigo a respeito da trilha?

Escute uma das músicas do filme (eu, particularmente, não consigo tirar as músicas do filme do repeat na minha playlist):


Anúncios

Written by _ricardo

24/01/2010 às 16:02

Publicado em filmes e seriados

Tagged with , , , , , , , , ,

Uma resposta

Subscribe to comments with RSS.

  1. Concordo com sua crítica, muito boa. Nada a ver o título brasileiro.
    Estou viciado na trilha tbm, simples e cativante.

    Vinicius

    18/02/2010 at 20:58


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: