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The Dark Knight e a Democracia moderna, muitas semelhanças

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Claro, se há dois acontecimentos que marcam bem esse ano que vai para seus meses derradeiros são as eleições, tanto a brasileira como a norte-americana, afinal, como um país de 3º mundo fica imune a fonte de dinheiro que ‘banca’ suas dívidas em momentos emergenciais?

E o outro marco do ano são as três letras: TDK, ou para os mais desavisados, a nova aventura do Batman, nunca dantes tão sombria e reflexiva que mesmo após quase 3 meses de sua estréia ainda é motivo de um tremendo hype.

É nesse cenário que Batman – The Dark Knight traz temas a servirem de reflexão, e o central talvez seja mesmo a política, encarnada no carismático Harvey Dent.De modo particular o filme traz questões de nível ético e social que valem tanto para prencher o roteiro como no cotidiano dos nossos verdadeiros políticos.

Eis as cinco verdades que o filme sutilmente aponta (com vários SPOILERS para quem não viu o filme) e que estão presentes na política brasileira:

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1º A democracia não funciona – parece um pouco confusa a afirmação, pois o que temos aprendido na escola/família/trabalho contraria isso, mas no filme isso é bem representado na cena onde os ricos votam através de uma cédula, logo o voto é secreto, pela morte de uma centena dos criminosos mais perigosos.Esse método liberta-os da responsabilidade que a ação irá causar.

2º Pessoas no poder falham – A personificação do ideal democrático no filem se dá na figura do carismático Harvey Dent. A cidade o amava. Não porque era incorruptível ou dedicava-se exclusivamente a combater o crime organizado, mas sim pelo carisma e ‘charme’ para parecer estar fazendo sempre a coisa certa. Ao sofrer uma deformação na face e tornar-se o Duas Caras traz a tona que ele não pode ser mais um político bem sucedido, não por assumir uma outra personalidade ou desejar vingança à morte de Rachel, mas sim por deixar de ser o homem-puro, a quem todos podem confiar.Uma questão de fisionomia. Mas isso hoje é a política, ou senão como aquele Lula das campanhas da década de 90, com barba preta, agressivo e briguento nunca foi eleito e em 2002 um novo Lula, carismático, defendendo todos, não só ‘os seus’ e mais manso ganhou a confiança da maioria para ser nosso presidente ?

Assim que são os símbolos. Tão poderosos, mas tão superficiais.

3º É válido usar meios errados para alcançar causas nobres – Assim como Dent, Batman inspirava as pessoas na luta contra o crime em Gotham, mas este último usa seu poder da força bruta como símbolo, tudo isso obviamente escondido sob uma máscara e um estereótipo de bilionário canastrão.Mas com a chegada do Coringa tudo muda.Ao ser intimado pelo cara-pintada a se entregar em vez de Bruce fazer isso quem se declara Batman é Dent. Assim começa a escalada dessa dupla para tentar parar o Coringa, não importando de que forma isso seria feito.Com uma proposta moralmente errado Batman combina com Dent que ele faria o “trabalho sujo” e deixaria a glória ou o fato de liderar o povo para o ambicioso Harvey. Mas tudo isso era para o show. O show que a política tem se transformado.

4º Ao se quebrar uma regra entra-se para um outro mundo. Após a aliança Batman-Dent ter falhado ambos quebram suas regras, de forma bem fácil, porque, afinal, já tinham mentido ao povo uma vez, e na segunda foi bem mais fácil.Dessa vez Batman matou o Duas Caras , conspirou com Gordon para ele mesmo levar a culpa, somente para o plano inicial (de Dent ser o bom-moço) não fracassar.Isso lembra muito os políticos sonhadores que vão para seu mandato na capital e lá descobrem que é difícil que suas propostas sejam aprovadas, mas que se cooperassem com os mais influentes poderiam ter êxito. Passa-se o primeiro mandato e o político já não é mais nem um pouco inocente e sua consciência não lhe incomoda mais.

5º Tudo isso acontece a menos que as pessoas reflitam que moralidade e heroísmo são valores que não se deve esperar que os outros tenham se não os tivermos primeiro.Seja em Gotham ou no Brasil, para a cidade ser salva isso não ocorre efetivamente ao matar o Coringa, porque existirá o Pingüim, o Charada ou qualquer outro vilão que ocupará o posto de espalhar o caos. A cidade só será salva se todos se convencerem que depende de cada um fazer o bem, e que ter um super-herói protetor é uma fraqueza, pois isso significa admitir que o mal venceu, mesmo antes de tentar vencê-lo, e que medidas desesperadas precisam ser tomadas.

Bem, com o domingo de eleições se aproximando é, no mínimo, interessante refletir a respeito.

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Written by _ricardo

03/10/2008 às 12:26

Uma resposta

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  1. […] Embalado pelas eleições tem esse outro post onde faço um comparativo entre a política atual e a do último filme do Batman.Você pode lê-lo clicando aqui. […]


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